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GRUPO DE DANÇA 

O Grupo de Dança do Instituto Camará Calunga tem uma história que está em processo desde 2001. Iniciamos nesse período encontros com aulas de dança africana com o professor Jhemalle, que depois de dois anos retorna para seu país de origem africana. Sua passagem entretanto deixou marcas e desejos em muitas das meninas que participavam do grupo. Em 2003, junto a educadora e psicóloga que acompanhava o grupo que já via naquele espaço uma possibilidade de encontro para produção artística e cuidado, encontrou uma mulher libanesa relativamente jovem que havia aprendido a dançar e viu nessa arte uma possibilidade de repensar a vida, até então pautada, como a vida de muitas mulheres, em relacionamentos abusivos e violentos. A dança foi um ato de coragem. 

Assim, foi também nesse encontro que começamos a partilhar visões de mundos, questionar posições pré-determinadas principalmente para as mulheres e a criar um espaço íntimo  uma linguagem cultural para o corpo, com raízes históricas femininas, o que resultou em 16 anos de experiência com a dança do ventre, um tempo no qual nos foi permitido experimentar movimentos, olhar para o corpo feminino como corpo pessoal, coletivo, político, social e institucional. Foi possível também produzir estudos, participar de pesquisas, escritas de livros, produções de curtas metragens, espetáculos, viajar, participar de eventos de mobilização, conferências, simpósios, congressos e algumas premiações. 

Em 2017 decidimos produzir um espetáculo com outras linguagens de dança, incluindo o samba, o funk, o jazz e retornando às danças africanas. Criamos o espetáculo A Gente não se Acostuma, no qual o roteiro foi criado a partir das histórias vivenciadas pelas meninas que  participam do grupo, portanto, das bailarinas participantes. Colocamos assim em pauta e movimento questões importantes do feminismo e feminismo na infância, gênero, raça e classe. 

Em 2018 produzimos dois espetáculos o Ventre Vivo Corpo Livre e AfroCalunga. 

Ventre Vivo, porque o processo de reconhecer que um corpo pode ser mais vivo, para além da circulação do sangue em nossas veias e do pleno funcionamento de nossos órgãos. Ele também pode ou não produzir vida, passando por vários processos, inclusive social e cultural. Corpo Livre, por um ato político de igualdade de direitos entre todas as pessoas que compõem nossa sociedade, principalmente quando falamos sobre os direitos das mulheres, sua liberdade de agir e o poder de fazer escolhas. 

AfroCalunga aconteceu em parceria com o grupo percussivo, apresentando como linguagem da dança do ventre, dança indiana, danças de matizes africanas e danças da cultura popular brasileira, como o maracatu, coco de roda e cirandas. Circulamos em algumas cidades do Brasil 

Todos os processos do grupo, ou seja, da construção do tema, das coreografias ou espaços que iremos ocupar são analisados e construídos coletivamente. Pautados na histórias reais de vida de cada participante. Inclusive os espaços de criação são mantidos como um princípio metodológico do Instituto Camará Calunga. Esse é nosso jeito de agir  na sociedade, além de garantir que as produções sejam mais reais e representativas do grupo. 

Atualmente estamos com um grupo de 34 bailarinas com idade entre 05 e 38 anos, duas educadoras e professoras de dança, uma psicóloga, uma estagiária em psicologia e uma pesquisadora, além de outras parcerias dispostas a nos apoiarem nos processos de construções coreográficas do espetáculo de 2019 intitulado Coisa de Preta!